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Válvulas para Hidrocefalia

24/11/2014

A hidrocefalia é uma entidade nosológica definida como aumento da quantidade de líquido cefalorraquidiano (LCR) dentro da caixa craniana, normalmente nas cavidades ventriculares, mas podendo ocorrer também no espaço subdural. Sua principal conseqüência clínica imediata é a hipertensão intracraniana, a qual muitas vezes exige pronto tratamento cirúrgico. 

Constitui morbidade de extrema importância para a neurocirurgia, devido principalmente a três fatores: (1) o elevado número de doenças à qual pode associar-se; (2) a quantidade de procedimentos cirúrgicos dentro do volume total da especialidade; (3) e às virtuais sequelas às quais o paciente está sujeito. Grande parte dessas doenças acomete tipicamente a faixa etária infantil, o que coloca a hidrocefalia como assunto de particular interesse para a neurocirurgia pediátrica. 

A hidrocefalia progressiva necessita de tratamento cirúrgico. As duas principais técnicas são: a instalação de dispositivos internos, conhecidos como válvulas para drenagem ventricular e a terceiroventriculostomia endoscópica (TVE). As válvulas de derivação para tratamento de hidrocefalia foram inicialmente criadas em 1949 e, desde então, inúmeros dispositivos diferentes foram desenvolvidos. A partir da década de 1970, a derivação ventrículo peritoneal tornou-se a técnica mais utilizada para o tratamento da hidrocefalia (Figura 1). As válvulas mais comumente utilizadas são as de pressão de abertura fixa. 

Na década de 1980, Black e Hakim desenvolveram as válvulas de derivação com pressão de abertura ajustáveis externamente. A pressão de abertura da válvula é regulada através de um aparelho codificador magnético externo, capaz de gerar um campo magnético dentro dos dispositivos da válvula, aumentando ou diminuído a tensão dentro dela, fazendo com que se modifique sua pressão de abertura. Existem outros dispositivos inteligentes, tais como a válvula com regulação contínua do débito liquórico (Orbis-Sigma®), desenvolvida pelo neurocirurgião Christian Sainte-Rose, em 1987. O mecanismo desta válvula permite uma drenagem mais regular e contínua do LCR, aproximando-se do fisiológico.
De uma forma geral, os sistemas de derivação compreendem um cateter proximal, localizado dentro do ventrículo cerebral e um cateter distal que drena o LCR para um local alternativo de absorção, sendo a cavidade peritoneal a mais comum. As complicações mecânicas e infecciosas são as mais frequentes, envolvendo os sistemas de drenagem ventricular (Figura 2).
Fonte: Neurocirurgia Pediátrica: Fundamentos e estratégias. Oliveira RS  & Machado HR (editores), 2009. 

Figura 1: Ilustrações demonstrando os locais de inserção dos cateteres ventricular e peritoneal (DVP).

Figura 2. (A) Válvula de drenagem ventricular funcionando de maneira regular; (B) obstrução do cateter proximal causada pelo plexo coroide levando a uma disfunção da DVP.

Autor: Ricardo Santos de Oliveira

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